Eduardo Tropia - Fotografia Fine Art

A sala escura sempre esteve presente na vida de Eduardo Tropia, reconhecido fotógrafo mineiro com 45 anos dedicados à arte de escrever com a luz. Filho do fotógrafo Milton Tropia, Eduardo cresceu vendo de perto o trabalho do pai, conhecido retratista em Pedro Leopoldo e Ouro Preto.

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Na fotografia a Obra Memonóculos - de Eduardo Tropia Instalação fotográfica com 210 monóculos

Na Fotografia a Obra Memonóculos -  de Eduardo Tropia Instalação fotográfica com 210 monóculos 

Menonóculos traz a memória do filme de slides usados nos editoriais de qualidade, para o trabalho voltei para o arquivo no período que trabalhei com a IstoÉ e fazíamos a Regional Isto É Minas e fotografei grandes personagens Mineiros e no circuito Nacional

 

A exposição “Olho no Olho”, em cartaz em julho, e oficina com os fotógrafos do grupo marcam comemorações em Ouro Preto/MG

Para Eduardo Tropia, dez anos é uma trajetória de mudança, mas também se configura como algo cíclico. “Não sabemos o que vem por aí. É sempre um desafio trabalhar uma ideia contemporânea. O Coletivo aconteceu num momento de desencanto da minha vida profissional e reacendeu o desafio, me trouxe uma perspectiva de criação, uma nova modalidade na minha vida fotográfica”, ressalta. A fotografia revela também a importância do indivíduo se manifestar através da arte. Segundo Antônio Laia, os dez anos do coletivo trazem essa perspectiva. “É preciso manifestar a inquietação que existe em nós, observar o que está acontecendo em volta da gente e revelar essas nuances por meio da foto”, conta

 

A cena artística-fotográfica de Ouro Preto sempre contou com atuantes de destaque, que se dedicam a focalizar o concreto e o abstrato que permeiam a cidade. O que inspira, e isso é unânime, é o que emociona. Aliado a essa tomada de consciência do que reflete a emoção, há também o que perturba, o que transcende, o que grita e o que é silêncio.  Dentro dessa perspectiva surgiu, em 2006, um coletivo - ainda sem nome - como uma iniciativa dos fotógrafos Antônio Laia e Heber Bezerra, que convidaram o também fotógrafo Eduardo Tropia e o poeta Guilherme Mansur, que faria o texto de apresentação da primeira exposição. A surpresa foi que o tal texto chegou em forma de poema. Do primeiro verso, “olho de vidro”, veio o nome do coletivo de fotógrafos que estava surgindo para compor esse espaço artístico ouro-pretano.

A ideia era integrar o Festival de Inverno de Ouro Preto, com a presença de produção local, ocupando o espaço do antigo bar Lero Lero, com o objetivo de despertar a reflexão, a criatividade a diversidade dentro de um tema. Durante quatro anos, o olhar fotográfico do Coletivo era direcionado pelo Festival. Foi daí que nasceram fotografias que comungavam com “Aleijadinho”, “Traços e Cores de Ataíde” e “Barroco Liberto”, por exemplo. Em seguida, o projeto ganhou corpo próprio e os temas passaram a ser decididos pelos integrantes. E com isso vieram “Murus”, “Vidra” e “Dobra sobre dobra”.  

Do grupo original, ainda fazem parte Antônio Laia, Eduardo Tropia e Guilherme Mansur. Alexandre Martins uniu-se ao Coletivo logo na segunda edição da exposição. A particularidade de cada um se tornou fundamental para a construção de um trabalho em unidade. A técnica, o olhar, o ângulo, o sentimento e para onde se destina a lente da câmera de cada um deles são aspectos que dão a forma desejada e o admiração pelo trabalho final.

Estamos resistindo!

Para celebrar os dez anos de existência, o Coletivo retoma o trabalho com a exposição “Olho no Olho”, no Centro Cultural Sesi-Fiemg, a partir do dia 8 de julho. A escolha pelo tema foi de Alexandre Martins, que veio como um toque, um aviso ou uma chamada para esta data redonda, como enfatiza Guilherme Mansur. “O tema sugere um olhar retrospectivo sobre o que produzi nesses dez anos. Sem me repetir, mas fiel a minha linguagem, pretendo fazer uma releitura dos temas criando um elo entre eles”, conta Alexandre.

De maneiras individuais, os fotógrafos refletem sobre a proposta e a composição de seus trabalhos antigos e como Ouro Preto e seu entorno comunicam com essa experiência. Seja por meio da memória, de uma câmera analógica, de fotografias em preto e branco ou poemas-objetos, a exposição tem como característica a liberdade de criação e da interpretação-construção do tema individualmente. Não há troca entre os fotógrafos durante a execução do trabalho. O impacto se dá na montagem da exposição quando todos revelam seus trabalhos e ali se concretiza a diversidade dos olhares sobre o tema ou mesmo suas possíveis variáveis. “O trabalho do Olho de Vidro não é uma amarra, mas, sim, uma exaltação à livre criação. Acredito que sempre conseguimos chegar a mostras bastante harmônicas”, observa Alexandre.

 


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